quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Quero ir embora pra Antártica no seu OVNI

Quando pesquisava para escrever a matéria sobre a abertura do 16° Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual soube que, infelizmente, o filme Antártica (Antarctica), do israelense Yair Hochner, teve apenas aquela apresentação especial para a abertura do Festival, na noite de quarta-feira (12). É uma pena, porque iria alardear aos quatro cantos do mundo para que o maior número de pessoas fosse assistir.

Yair pegou um ponto que me toca muito, a desintegração da estrutura familiar diante da inadequação de lidar com situações diversas, no caso a homossexualidade e a ambição familiar do crescei-e-multiplicai-vos, mas sobretudo como é posta a situação da relação afetiva e do FAST FOOD sexual que, dando o braço cibernético a torcer, ganhou amplitude quantitativa.

Um dos personagens transa duas vezes com um cara sem saber da transa anterior e, passados três anos, os dois voltam a transar e descobrir que já dividiram a alcova duas vezes antes. Hilária e terrívelmente assustadora, por tratar-se da mais nua e crua realidade, é como eles planejam verbalmente como executarão a foda. Sim, não é transa, é foda, não n sentido moralista, mas num sentido de que o que há de humano no ato sexual é substituído pela mera satisfação robótica do tesão de momento. E depois? O vazio. A autodecepção. O vácuo. 

Isso mexeu comigo porque, confesso, não dispenso sexo, mas o vácuo depois do prazer é terrível. Não sei se faço isso pra me proteger de deceções devido aos inúmeros romances e/ ou tentativas de mergulhar numa relação que naufragou.

O que eu sei é que não sei nada de mim. E quem sabe de si? Mas eu preciso ouvir e ler nas entrelinhas das minhas ações pra saber, de verdade quem eu sou, o que eu quero, como eu quero, como eu devo proceder pra conquistar o que eu quero e como dialogar com o querer do outro para que, em lugar de choque-atômico, haja uma relação dialética e democrática entre os quereres.

Tem horas que dá vontade de entrar no primeiro OVNI que aparecer no meio do caminho e partir abduzido pra Antática, lá onde os problemas ficam um período congelados... E eu que pensava que problemas afetivos eram exclusividade minha só porque sou cadeirante... Ledo engano. Há uma crise no modus operandis do relacionamento! 

2 comentários:

Luis Fabiano disse...

Você tocou no cerne da questão, sem ser vulgar. Esse vazio, depois da "foda", como você usa no texto, representa o que Nelson Rodrigues chamou de alto valor trágico que tanto o atraía para os seus textos e que era importante para o teatro. O sexo em si é maravilhoso, mas, se não houver algo mais, torna-se morto em pouquíssimo tempo. Abração!
P.S. Não sabia que vc estava aqui também.

LMonteiro disse...

Parabéns pelo Blog. Me emocionei muito com o seu texto.